Movimento em defesa da memória de quilombola assassinado no Maranhão…

A solenidade está marcada para ocorrer às 10 horas desta quinta-feira (5/5), na comunidade de São João do Sóter, e será sucedida por um ato público com participação da Comissão Pastoral da Terra e de entidades e comunidades locais.

Edvaldo Pereira Rocha foi o sétimo quilombola assassinado no estado desde o ano de 2020. Ele era presidente da Associação de Quilombolas do povoado Jacarezinho e foi morto no dia 29 de abril.

Dia 05 de maio será realizada a missa de sétimo dia em memória de Edvaldo Pereira Rocha, líder da comunidade quilombola Jacarezinho, na cidade de São João do Soter, localizada a 420 km da capital, São Luís.

Edvaldo Pereira Rocha, presidente da Associação de Quilombolas do povoado Jacarezinho, foi assassinado a tiros na manhã da sexta-feira (29), no povoado Bom Jesus, zona rural de São João do Soter.

A solenidade está marcada para ocorrer às 10 horas desta quinta-feira, na comunidade, e será sucedida por um ato público com participação de entidades e de comunidades locais.

O processo administrativo para a titulação do território quilombola está sob responsabilidade do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), no entanto, ainda não foi concluído. O processo já inclui o laudo antropológico que definiu previamente os limites das terras que pertencem historicamente à comunidade.

Desde o ano de 2020, este já é o sétimo assassinato de quilombolas apenas no Maranhão. Ao todo, em 2021, foram 43 ocorrências de conflitos contra quilombolas no estado, conforme consta na publicação Conflitos no Campo Brasil 2021, divulgada no dia 18 de abril deste ano.

A Secretaria de Direitos Humanos e Participação Popular (Sedihpop) comunicou, por meio de nota, ainda no dia 29, que a liderança assassinada havia agendado depoimento para os próximos dias, para denunciar a extração ilegal de madeira na região do Quilombo Jacarezinho.

Ainda segundo a nota, “Vale destacar que a principal razão do conflito na região decorre de conflitos agrários pela posse da terra e também pelo desmatamento na região” (Com informações da CPT Regional Maranhão).

A Diocese de Caxias também publicou nota no dia 29 passado (29/4) em solidariedade aos familiares e às comunidades tradicionais:

Nota de Solidariedade Cristã

“Mataram mais um irmão, mas ele ressuscitará”, cantam as comunidades!

Caxias, 29 de abril de 2022

A Diocese de Caxias-MA, na pessoa do seu bispo, do padre Ribamar, das pastorais sociais da Diocese e de todos os indignados pelos conflitos no campo e pelas constantes ameaças causados pelos latifundiários, vêm a público repudiar o assassinato de um grande líder quilombola do Maranhão, no município de São João do Sóter.

Que o sangue de Edvaldo Rocha fecundando o Território Quilombola Jacarezinho inspire a resistência dos que lutam, clame justiça que o Estado deve fazer através de investigação e prisão do assassino e mandante, se assim o for, que acelere a titulação, mesmo que a sua já seja titulada, e posse de fato da terra para quem nela vive e trabalha, que desperte a solidariedade e o compromisso de todos com o bem viver dos que dependem do campo.

Mais um sinal da resistência dos povos tradicionais e da prepotência dos gananciosos, latifúndio e projetos que matam por lucro, sem ver o ser humano. Externamos nossa solidariedade cristã aos familiares, esposa que o viu morrer e filhos, parentes e a inteira Comunidade de Jacarezinho. As Comunidades Tradicionais estão de luto.

Em Jesus, o Cristo Ressuscitado, fiat voluntas tua.

Dom Sebastião Lima Duarte – Bispo de Caxias-MA

3 respostas para “Movimento em defesa da memória de quilombola assassinado no Maranhão…”

  1. Saudades de Dutra… Me pergunto o que Dino fez em relação aos assassinados? Não fez nada… mas, louve-se, fez motel para os assassinos…

  2. No mais, o Bispo, cevado, vitaminado, mesa farta, morando em um Palácio, é muito preocupado com a “pobreza”.

  3. Até agora não vi uma manifestação sequer de um deputado federal ou estadual do Maranhão em defesa dos sete trabalhadores mortos pela pistolagem e suas famílias no Maranhão. Saudade de Domingos Dutra, deputado Federal combatente e defensor daqueles que lutam por vida, por terra e pão.

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