O Memorial da Balaiada pede socorro…

Obras do Memorial da Balaiada não resistiram às chuvas que caíram nos últimos dias sobre a cidade. Inaugurado no dia 26 de junho de 2004, na cidade de Caxias MA, o museu remete à história da Guerra da Balaiada.

Hoje com vários problemas em sua estrutura física, paredes rachadas, infiltrações, o telhado e o forro da sede do memorial não suportaram as águas torrenciais que desabaram na região, o que comprometeu uma vasta documentação e réplicas feitas de barro contidas no seu interior.

Segunda feira foi dia de limpeza, triste a cena da casinha de barro literalmente derretida… O frágil material com que a mesma foi construída era a síntese da originalidade de um tempo de ontem e de hoje, a qual ainda se encontra em vários locais da zona rural da Princesa do Sertão.

A criminosa demolição do Clube Alecrim…

Construído por iniciativa de um grupo de 50 pessoas, a maioria composta de médicos, e de empresários, tais como Humberto Coutinho, Isaac Pereira e José Alves Costa, o Clube Alecrim era uma das poucas antigas construções desse tipo que ainda se mantinha de pé em Caxias MA.

O Clube Alecrim, também conhecido como Clube dos Médicos, foi erguido entre o final de 70 e início de 80 do século passado, há mais de 50 anos.

Mas agora, como se vê pelas fotos, mãos humanas cuidaram de pôr o prédio abaixo, direto no chão… Mais um bárbaro crime contra a memória, a cultura e a história da Princesa do Sertão!

Eleição de novos membros da Academia Caxiense de Letras…

No último dia 13 de agosto encerrou-se o período de inscrições para candidatura de novos membros da Academia Caxiense de Letras.

A ACL é uma instituição cultural composta por um quadro de 40 membros efetivos. As cadeiras são ocupadas vitaliciamente (a não ser que seu ocupante renuncie).

Nesta eleição há cinco cadeiras vagas, que estão sendo disputadas pelos seguintes candidatos:

Para a cadeira n° 02

1 Joseneyde Ferreira Vilanova

Para a cadeira n° 10

1 Alberto Pessoa;

2 Ana Rosária Soares da Silva;

3 Antônio Cruz Gonçalves;

4 Erlinda Maria Bittencourt;

5 Maria Alzenira Pinho Vanderley;

6 Paulo Rodrigues dos Santos Filho.

Para a cadeira n° 11

1 João Batista Medeiros Filho;

2 Gilmar Pereira Silva;

3 Ronne David Silva de Sousa.

Para a cadeira n° 38

1 Ana Lúcia e Silva Pinho Gonçalves;

2 Eliseu Arruda de Sousa

3 José Carlos Aroucha Filho

4 Márcia Regina dos Reis Luz

5 Nelson Silva Almada Lima

Para a cadeira n° 39

1 Elany de Maria Moraes da Silva

2 Isaac Gonçalves Souza

3 Márcia Cristina Silva Oliveira

Lançado o livro ‘Othelino: um herói da imprensa livre’…

O livro ‘Othelino: um herói da imprensa livre’ – biografia de Othelino Nova Alves (1911-1967), jornalista maranhense assassinado em São Luís no dia 30 de setembro de 1967 – foi lançado ontem (15/12), às 18h, no Hall do Plenário Nagib Haickel, na Assembleia Legislativa do Maranhão.

A obra, de autoria do jornalista Manoel Santos Neto, que conta com prefácio escrito pelo poeta Cunha Santos, é um livro-reportagem de 250 páginas, dividido em 28 capítulos. O livro foi idealizado por Othelino Filho, jornalista cearense, nascido em Sobral, que aos 17 anos de idade veio para o Maranhão com o firme propósito de entender a razão do assassinato de seu pai em São Luís.

Saga de seu pai

No ano de 2008, Othelino Filho fez uma visita ao Jornal Pequeno, onde solicitou ao jornalista Manoel Santos Neto que o ajudasse a escrever um livro sobre a atribulada saga de seu pai.

Othelino Filho adoeceu e, pouco antes de falecer, disse que um dos grandes sonhos de sua vida era a publicação do livro biográfico de seu pai. O jornalista Manoel Santos Neto, de pronto, firmou esse compromisso com ele. E, para escrever o livro, teve de valer-se de acuradas pesquisas nos acervos do Arquivo Público do Estado e da Biblioteca Benedito Leite.

O autor realizou também entrevistas com figuras que conviveram com o personagem central do livro, recolhendo testemunhos e depoimentos de Milson Coutinho, Elói Cutrim, Jersan Araújo, Aldir Dantas, Luís Vasconcelos, Haroldo Silva, Sálvio Dino, Nauro Machado, Ademário Cavalcante, José Ribamar Rocha Gomes (Gojoba) e outros entrevistados.

Após mais de 12 anos de pesquisa, iniciada em 2008, o jornalista Manoel Santos Neto conseguiu reunir as condições para agora lançar ‘Othelino: um herói da imprensa livre’, primeiro volume de uma série de 12 livros-reportagem intitulada ‘Valha-me Deus! Notícias que não publiquei’.

O personagem biografado:

Othelino Nova Alves nasceu no dia 15 de outubro de 1911, no bairro da Jordoa, em São Luís. Como jornalista, advogado e ativista político, marcou uma época no Maranhão. Conta-se que ele, mais passional que a maioria de seus contemporâneos, trazia em si um temperamento político evidente e não suficientemente realizado. 

Além de dirigente da Federação Nacional dos Jornalistas e da Associação Brasileira de Imprensa, foi fundador e presidente do PTN (Partido Trabalhista Nacional). Sonhava ser um representante do povo do Maranhão na Assembleia Legislativa do Estado. 

Mas a personalidade forte do crítico, com uma visão pessoal, frequentemente restritiva, levou-o a assumir posição marcadamente polêmica em face de inúmeros episódios ocorridos em seu redor nos tempos de sua juventude e maturidade. 

No cenário político e jornalístico, ficaram as marcas inapagáveis de seu desempenho profissional, pela brilhante e aguerrida atuação em relevantes cargos na área da comunicação e como cronista e redator em diversos periódicos e jornais da capital maranhense.

Ao iniciar sua militância como homem de jornal, Othelino, com a personalidade forte de um crítico implacável, logo se inclinou por um tom combativo, que decorria de suas virtualidades políticas. 
E logo passou a escrever contra as injustiças e desigualdades sociais que dominavam o Maranhão daqueles tempos.

Duas frentes

Ao longo de sua carreira profissional, Othelino abriu duas frentes de combate, com todo o vigor de que seria capaz: uma, como cronista, escrevendo regularmente na imprensa em tom polêmico; outra, mais ampla, mais profunda, como jornalista profissional e estudioso do Direito.

Para escrever seus artigos e suas reportagens, contava, já, com um perfeito instrumento de expressão – o estilo direto, objetivo, essencialmente factual, que despojava de excessos vulgares o texto de jornal. E assim foi um dos grandes cronistas do Jornal Pequeno, de seu amigo Ribamar Bogéa. 

Mas Othelino, diga-se de passagem, não era um amigo fácil. Afirmativo, dizia em voz alta o que pensava. Sabia discordar. Ou melhor: não sabia. Porque obedecia, na hora da discordância, aos seus impulsos de sinceridade veemente. 
Daí resultava que, para ser mesmo seu amigo, era necessário que houvesse uma afinidade ostensiva, notadamente no plano político. 

E foi assim que ele travou, em São Luís, uma dura luta contra os poderosos de então. E foi assim que ele, aos 55 anos de idade, foi barbaramente assassinado, no dia 30 de setembro de 1967. Após a sua morte, erigiu-se um busto no local em que tombou atingido por disparos de uma arma de fogo, no cruzamento da Rua de Nazaré com a Praça João Lisboa.

Advogado 

Othelino foi advogado de todos os partidos trabalhistas que se organizaram no Brasil. Paradoxalmente, na ditadura Vargas, ele desapareceu certo dia e, só meses depois, foi encontrado, pele e osso, no porão de uma das celas da ditadura, onde foi acerbamente torturado. 

Ao defender as liberdades, os humildes e oprimidos, sofreu inúmeras agressões também fora do Estado do Maranhão, como no Ceará, Pará, Piauí e Amazonas, onde um ex-governador teria sido o autor intelectual do atentado. No Ceará, foi um senador da República. No Maranhão, as elites que não concordavam com as denúncias que fazia sobre a corrupção, com a pena desassombrada.

Othelino usou a praça e os tribunais para defender os humildes e acusar os poderosos que, na calada da noite, usavam de maquinações as mais espúrias, autoritarismo, prepotência e truculência muito comuns naquela época.

Sobre o autor:

Manoel Santos Neto, maranhense de São Luís, nasceu a 23 de julho de 1963. É jornalista profissional, bacharel em Comunicação Social pela UFMA, membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM). Trabalhou como repórter e redator de diversos periódicos, entre os quais o Jornal de Hoje, Diário do Norte, O Debate, Jornal Carajás e Atos e Fatos.

Foi chefe de Reportagem e editor de Política do jornal O Estado do Maranhão, onde trabalhou de maio de 1988 a janeiro de 2001, e integrou a equipe fundadora do jornal Folha do Maranhão. Participou da equipe de redatores do Suplemento Cultural & Literário Guesa Errante, editado pelo Jornal Pequeno sob a coordenação de Josilda Bogéa e Alberico Carneiro.

Manoel Santos Neto lançou em Brasília, na Câmara dos Deputados, no dia 13 de maio de 2004, o seu livro O negro no Maranhão – A escravidão, a liberdade e a construção da cidadania. 

No final de 2004, conquistou o primeiro lugar no XXVIII Concurso Literário e Artístico ‘Cidade de São Luís’, com o livro ‘Os jornais do Império e o cativeiro no Maranhão’. É também autor do livro ‘João Francisco dos Santos – Uma lição de vida’, e co-autor do livro ‘Chagas em pessoa’, redigido em parceria com o jornalista Félix Alberto Lima, lançado em janeiro de 2005.  Membro do Instituto Histórico e Geográfico do Maranhão (IHGM), Manoel Santos Neto, em outubro de 2015, foi o grande vencedor do 36º Concurso Literário Cidade de São Luís, na categoria Jornalismo Literário, por conta de seu livro ‘A ressurreição do padre’, que versa sobre a vida e a obra do saudoso padre João Mohana (1925-1995)… Com edição, matéria Assembleia do MA.

José Maria Machado tem sua história de vida e lutas contadas em obra digital…

Falecido em 2000, vinte anos após sua morte, o empreendedor caxiense José Maria Machado acaba de ter documentado um pouco de sua vida. Ele nasceu em 5 de dezembro de 1907.

Trabalhando desde criança, como lenhador e vendedor de madeira, prosperou e tornou-se comandante de embarcações que transportavam pessoas e cargas pelo rio Itapecuru, dono de indústria de tijolos, posto de combustível, usinas de arroz.

Auxiliou na construção de escolas, clubes e empresas. Revoltou-se por não poder entrar em um dos clubes que ajudou, o Cassino Caxiense. Era negro. Em resposta, patrocinou o famoso “Bloco das Meretrizes”, que desfilou em um dos carnavais caxienses. As mulheres apresentaram-se com dignidade e beleza e foram consideradas campeãs pelo público, mas os jurados deram-lhes o segundo lugar.

A insatisfação da elite caxiense da época com a luta contra o preconceito, por parte de José Maria Machado, atravessou anos, a ponto de a Prefeitura de Caxias ter iniciado processo para desapropriação das tradicionais boates Casa Amarela (Bagdad), Calçada Alta, Casa Verde, Madrid. José Maria Machado entrou na briga, levou o caso para o Tribunal de Justiça, em São Luís, e ganhou a causa.

Essas e outras informações estão em texto do jornalista caxiense Edmilson Sanches, ilustrado com 15 fotografias, e pode ser acessado na página de Facebook do autor, diretamente pelo “link” https://www.facebook.com/edmilson.sanches.9/posts/10222638556371188 ou na página do advogado José Maria Machado Filho, “link” https://www.facebook.com/josemariamachadofilho.machado .

A exclusão de negros por Sérgio Camargo da lista de personalidades…

Sérgio Camargo, presidente da Fundação Palmares, divulgou, hoje (2/12), o nome dos excluídos da lista de personalidades negras da entidade. De acordo com a portaria publicada no Diário Oficial no mês passado, o órgão agora passa a conferir somente homenagens póstumas.

Na postagem feita por Camargo no Twitter, foram retiradas 29 personalidades da lista, entre elas Elza Soares, Benedita da Silva, Gilberto Gil, Marina Silva, Milton Nascimento e Martinho da Vila.

De acordo com o chefe da Fundação Palmares, foi feita “a exclusão de todos que estão vivos”. E completou que, a partir de agora, “vamos valorizar quem merece”.

Os nomes retirados da lista de personalidades negras da Fundação Palmares são:

Ádria Santos
Alaíde Costa
Benedita da Silva
Conceição Evaristo
Elza Soares
Emanoel de Araújo
Gilberto Gil
Givânia Maria da Silva
Janete Rocha Pietá
Janeth dos Santos Arcain
Joaquim Carvalho Cruz
Jurema da Silva
Léa Lucas Garcia de Aguiar
Leci Brandão
Luislinda de Valois
Madame Satã
Marina Silva
Martinho da Vila
Melânia Luz
Milton Nascimento
Paulo Paim
Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva
Sandra de Sá
Servílio de Oliveira
Sueli Carneiro
Terezinha Guilhermina
Vanderlei Cordeiro de Lima
Vovô do Ilê
Zezé Motta

Implosão da histórica caixa d’água…

A postagem anterior sobre a implosão da histórica caixa d’água da antiga ‘Refinaria’ em Caxias MA foi atualizada porque a velha ‘torre’ ficava fora do perímetro da área onde está localizado o Supermercado Mateus (Reveja aqui).

Mudança de título

No caso, a destruição da caixa d’água teria se dado a mando do grupo empresarial Horizonte, de Fortaleza (CE), e não do grupo Mateus… Daí também a mudança do título da referida postagem.

Grupo empresarial implode histórica caixa d’água…

A caixa d’água construída ainda em fins de 60 do século passado, para abastecer a empresa A. Silva Óleo Vegetal, do saudoso e visionário comendador Alderico Silva, foi posta abaixo, ontem à noite.

História

A caixa-torre era um símbolo da história da indústria caxiense. O complexo industrial pensado por Alderico Silva, o ‘Seu Dá’, então popularmente denominado apenas de ‘Refinaria’, foi inaugurado em 1972, com um grande show da cantora Clara Nunes.

Formato cilíndrico

Era a mais alta caixa d’água em formato cilíndrico da região. Uma bela construção arquitetônica, uma verdadeira torre emoldurando o céu do leste maranhense.

Destruição do patrimônio

Pior que Caxias assistiu inerte à destruição de mais esse patrimônio histórico. Tudo em nome do progresso. Atualmente, na área da antiga indústria foi instalada uma filial do bilionário grupo Mateus.

Supermercado Mateus

Mas, segundo informação repassada ao editor do site, agora há pouco, a área onde ficava a torre estaria fora do perímetro do Supermercado Mateus e pertenceria ao grupo empresarial Horizonte, de Fortaleza (CE)… Não custava nada preservar a caixa d’água, mas o grupo Horizonte decidiu implodi-la, jogando-a definitivamente ao chão.

O vazio

Do lamento irreversível da implosão da caixa d água, atirada ao chão pela mão do homem, restou o vazio no lugar e na mente do cidadão caxiense.

Tempo áureo

 De agora em diante, quem passar por ali ou visitar o local sentirá a incômoda sensação de que falta algo no ar, na paisagem: a velha caixa d’água da ‘Refinaria’, que por dezenas de anos simbolizou o tempo áureo da indústria na nossa Princesa do Sertão.

Destruição do ícone

Não se sabe o que levou à destruição desse ícone histórico da economia pulsante do século XX nesta região, quais motivos justificariam a derrubada da estrutura que compunha o imaginário popular de Caxias.

Vídeo

Veja o vídeo abaixo para nunca mais esquecer como se mata a história, o patrimônio e a memória de uma cidade nas caladas da noite…

A história abandonada na Princesa do Sertão…

Foto IBGE

Proprietários de prédios históricos no centro de Caxias deixam de cuidar dos mesmos para que desmoronem, venham abaixo e, assim, depois, possam vender apenas os terrenos, hoje calculados em altas cifras financeiras.

Ninguém fiscaliza

E como não há mesmo ninguém fiscalizando o patrimônio histórico material e imaterial caxiense, o método funciona.

Aniquilação

Haja vista que o governo local não está nem aí, nem os que se dizem defensores da rica memória do município, a aniquilação da lembrança regional prossegue.

Crueldade

Uma crueldade com a história de uma cidade que contribuiu para a formação do próprio estado brasileiro. É uma destruição feita aos olhos de todos.

Fotografias

No futuro, com sorte, diga-se, a história da Princesa do Sertão viverá apenas em fotografias, como na foto acima.